
Eu caminho tao levemente e imperceptivel, que nao podes notar os fardos ,
nem os dardos que carrego.
Meu olhar sao dois passaros engaiolados, cobiçosos do azul
que olham através de ti
a exaltaçao da máquina do mundo.
Entre as frestas das estrelas, pausas de melancolia,
toda angustia é vaidade,
como nas cartas de Eclesiastes.
Tu passas ao longe, e nao me advinhas,
como uma grega coluna, imóvel , intocável,
observas minhas mágoas discretas,
nao te inclinas, mas olvidas.
Minha loucura é como a freirinha coquete,
que há pouco sorria - talvez – da vida.
E eu que tomei por espada o riso,
choro, – talvez- pela vida.
by
Anna Montenegro
Publicado em Literatura Portuguesa