Ser mulher
Sofremos porque vivemos a-simbolicamente! Não temos um significante, um símbolo que dê conta de representar e dizer o que é ser mulher.
Neste território inominável e movediço, buscamos um signo que dê conta do que é ser uma mulher, e encontramos signos que nos escapam. Somos um receptáculo: nosso modo de nos deixar penetrar é o nosso modo de se relacionar com as coisas. Nesse campo aberto a voragem do mundo nos devora…
Há algo em nós que não se inscreve na ordem da linguagem. Nela escorregamos, tentamos agarrá-la mas…ela, a linguagem, sempre escapa….e caímos no vão dilacerado da cadeia significante…
A arte é uma experiência que permite com que possamos deslocar ou dissolver o peso da existência: construir e vivenciar um certo contorno permite um pouco quietude.
Fechar os olhos e meditar, orar é mergulhar para dentro de si para desenvolver o olhar interior e encontrar um campo sereno. Desligar-se do mundo.Não deixar o mundo nos engolir…é o que nos salva!
Queremos sempre ser aquilo que falta ao Outro ( grande Outro lacaniano). Mas não conseguimos e sofremos porque exigimos demais de nós mesmas.
Temos que dançar, dançar…para experimentarmos a perda do peso da existência.
Cantar, cantar e marcar presença através das pulsações rítmicas e melódicas. A música neste sentido acaba fazendo sua assinatura dentro de nós….e acreditem, ela coloca uma certa ordem no caos pulsional.
Viver cansa, dá enjôo ( como dizia Fernando Pessoa).
Mas o encantamento ( essa poção mágica que sustenta a existência) sempre aparece: no olhar de nosso cão, quando tocamos piano, quando dançamos, quando lemos um poema, quando vemos o despertar dos nossos alunos, quando estamos nos braços de nosso amor.
Somos uma explosão de emoções. É difícil para os homens compreenderem todas estas emoções!
A lógica deles é aristotélica: ou é ou não é.
A nossa lógica é: aquilo que é pode não ser.
(…)
by
Deise Rossi

