Conveniência

CONVÉM que o sonho tenha margens de nuvens rápidas e os pássaros não se expliquem, e os velhos andem pelo sol,e os amantes chorem, beijando-se, por algum infanticídio

Convém tudo isso, e muito mais, e muito mais…E por êsse motivo aqui vou, como os papéis abertosque caem das janelas dos sobrados, tontamente…

Depois das ruas, e dos trens, e dos navios,encontrarei casualmente a sala que afinal buscava,e o meu retrato, na parede, olhará para os olhos que levo.

E encolherei meu corpo nalguma cama dura e fria.(Os grilos da infância estarão cantando dentro da erva…)E eu pensarei: «Que bom! nem é preciso respirar!…»

by
Cecilia Meireles
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~ por rosana em 17/11/2008.

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