Silêncio

Henry Fuseli

Henry Fuseli

Assim como do fundo da música
brota uma nota
que enquanto vibra cresce e se adelgaça
até que noutra música emudece,
brota do fundo do silêncio
outro silêncio, aguda torre, espada,
e sobe e cresce e nos suspende
e enquanto sobe caem
recordações, esperanças,
as pequenas mentiras e as grandes,
e queremos gritar e na garganta
o grito se desvanece:
desembocamos no silêncio
onde os silêncios se emudecem.

 

by
Otavio Paz

(de Libertad bajo palabra, 1960 / traduzido por Luís Pignatelli e incluído em Antologia Poética, publicações Dom Quixote, 1984 – Poesia Século XX)

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~ por rosana em 12/03/2009.

3 Respostas to “Silêncio”

  1. uma coisa se sobrepondo a outra… ciclos intermináveis…
    gostei

  2. Muito bom adorei

  3. Poder penetrar no que nos cerca é algo fascinante, encontramos não só as sobreposições de sentimentos, intenções, verdades. Encontramos, também, nossa própria realidade, misturada a outras que não são nossas e assim descobrimos um mundo mais amplo o qual nossos olhos, na maioria das vezes, não conseguem ver.
    Parabéns.

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