Noturno de um outono

Não devo subir as escadas do sonho,
Nem olhar as catedrais do tempo,
O ser indecifrável me espera no sotão,
com a indiferença das pedras,
milhares de anos sem luz.
Faço companhia ao espelho  da agua da chuva,
 à vidraça gelada,
à porta trancada.
As árvores continuam sua espera , suportando o inverno,
sou eu, o cerne dessa imagem,
a captar uma realidade irreal.
O mais atroz é essa frase inacabada,
palavra perdida,
erro suicida.
Não é verdade a transcendência,
 o milagre redentor,
a morte justificada.
Não é verdade e essa é a vida. E eu sonhei.
Resta a tragédia habitual do indivisível,
do silencio que escraviza ,
do tédio, e praticamos esse ato todos os dias.
Compreendo que o amor   é literatura.
O ódio, a suspeita de que a linguagem foi descontruida.
Defesa contra as coisas.
Ou a sede de um amor bem escrito.
by
Anna Montenegro
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~ por rosana em 01/06/2009.

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