Os sobreviventes

Kandinsky, in Improvisation (1909)

Somos sobreviventes do tempo
De muitos dezembros iluminados,
De chuvas de primavera
Reinaçoes de verde e flores.

Como os pássaros, sobreviventes dos temporais noturnos,
De angustias guardadas sob os lençois silenciosos,
Dos gritos digeridos em xícaras de chá.

Somos sobreviventes de infinitas perguntas sem respostas
Em nossos livros de perplexidades
Somos sobreviventes
De muitas palavras desenhadas por nossa memória
E que formulam nossas ignorancias.

Somos sobreviventes da ausencia e da presença do outro,
E do círculo que nunca se fecha
ao redor do mundo.

Somos sobreviventes do acaso do universo
que apaga a luz de nossos olhos
e como um véu nos cobre de velhice.

Sobreviventes dessa beleza infinita
nas pequenas coisas que escapam pela ampulheta
e se tornam passado.

Somos sobreviventes,
de momentos de solitude,
E quando fechamos os braços
os imaginamos asas quebradas
de um pássaro que nunca voou.

by
Anna Montenegro

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~ por rosana em 14/12/2009.

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