Brisa Marinha

 

Jackson Pollock, in The Tea Cup

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A carne é triste, sim, e eu li todos os livros.
Fugir! Fugir! Sinto que os pássaros são livres,
Ébrios de se entregar à espuma e aos céus
                                              [ imensos.
Nada, nem os jardins dentro do olhar suspensos,
Impede o coração  de submergir no mar
Ó noites! nem a luz deserta a iluminar
Este papel vazio com seu branco anseio,
Nem a jovem mulher que preme o filho ao seio.
Eu partirei! Vapor a balouçar nas vagas,
Ergue a âncora em prol das mais estranhas
                                              [ plagas!

Um Tédio, desolado por cruéis silêncios,
Ainda crê no derradeiro adeus dos lenços!
E é possível que os mastros, entre ondas más,
Rompam-se ao vento sobre os náufragos, sem
                                              [ mas-
Tros, sem mastros, nem ilhas férteis a vogar…
Mas, ó meu peito, ouve a canção que vem do
                                              [ mar!

 

by

 

Stéphane Mallarmé

(Traduçao: Augusto de Campos)

 


 

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~ por rosana em 19/07/2011.

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