-Leituras recentes

¨”A Capital da Solidão” – Roberto Pompeu de Toledo –  2012

Deliciosa biografia de São Paulo desde sua fundação até 1900.Leve, não acadêmica, mas recheada de informações que nao estão nos livros escolares , a obra nos coloca frente aos desafios , particularidades  e a obstinação de São Paulo desde sua origem e que ainda fascinam e seduz a todos que conhecem ou vivem nessa cidade.

 

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Em Busca do Tempo Perdido (Marcel Proust)

Para ler Proust precisamos de tempo, paciencia e silencio.
Todo exercício da memória narrativa desse livro é um fluxo para dentro de nossas proprias impressoes sobre o mundo.Recordar nao o acontecido, mas o abstrato. Relembrar cheiros, cores, gostos, a partir de uma imagem cotidiana é a fonte de Proust. O enredo nao tem nada de extraordinário, mas a genialidade da narrativa , seus parágrafos imensos, suas digressoes, possibilitam que também possamos mergulhar na grande questao proustiana: O Tempo. Nossa finitude e a fugacidade das coisas.
Nao espere ler Em Busca do Tempo Perdido desejando saber o final. O livro exige uma leitura atenta, anafórica, possibilitando ao leitor empreender também o fluxo de suas proprias lembranças.

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Judas, O Obscuro, de Thomas Hardy

Esta história apareceu pela primeira vez como uma edição seriada no periódico londrino Harper’s Magazine, no final de 1894, sendo depois condensada e publicada como romance.

Trata-se de um enredo denso, tratando de questões como a perturbação do espírito, o escárnio e o infortúnio que acompanham muitas criaturas, em especial aquelas que concebem o mundo e a vida sob a égide do conhecimento. A tragédia das aspirações nao realizadas e a luta intensa por um lugar ao sol fazem de Judas, O Obscuro , uma personagem fascinante, dolorosamente real, dentro de um cenário que poderia ser de qualquer tempo, com suas mazelas, diferenças, crueldades e exclusões.

O final surpreendente nos remete à impotência do ser humano diante do destino, além de nos permitir refletir sobre o preço de nossas paixões, e se  na tradição cristã Judas carrega o estigma da solidão eterna e os tormentos de sua consciência, o autor nos coloca diante dessas questões como paradigmas da culpa que que a vida nos lega. A questão do livre arbítrio se desfaz, pois somos prisioneiros das consequências de nossos atos.

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O Filho Desejado, de John Steinbeck

Uma história humana, onde o amor é o pano de fundo.
Steinbeck commbina a existência aos elementos da natureza: ar, terra, agua e fogo, criando uma atmosfera teatral onde estão presentes a trajetória do homem , desde a sua concepção até o seu nascimento.
Joe é estéril e seu maior desejo é ter um filho.Sua mulher engravida de outro homem, sem que ele saiba,para realizar este sonho.A partir desse tema o autor nos faz refletir sobre o amor em suas múltiplas dimensões, a amizade, e a centelha que existe dentro de nós.
Nobelista americano, Steinbeck escreve sobre as criaturas oprimidas, inadaptadas,infelizes e párias de uma sociedade com sede brutal e cínica do dinheiro em contraponto à terra, à alegria simples, e uma incrível compaixão pela condição humana.

♥Ana Karenina, de Leon Tolstoi

Mais de setecentas páginas numa edição antiga, com tradução de Lúcio Cardoso e prefaciado por Otto Maria Carpeaux , o romance de Leon Tolstoi trata  duas questões : o adultério feminino e a busca pela verdade da existência.

Poderia ser apenas um drama de costumes, nao fosse a riqueza das personagens e a atenção que Tolstoi dá à angustia de cada um deles.Focando as diferentes classes sociais e seus valores, a vida urbana em contraponto a vida rural, o idealismo e a mesquinhez , alternam-se dois eixos prncipais. A questão religiosa e os valores mundanos estão presente em todo o romance.

O interessante da obra é o jogo de cenas dentro do tempo, e o número de personagens esféricas que compoem o enredo, conferindo tessitura a obra, e exigindo uma leitura atenta.

O Falecido Matthia Pascall, de Luigi Pirandello

Publicado em 1904 , Matthia Pascall conta a história de um homem que  dado  por engano como morto resolve viver uma nova vida.

Pirandello , um escritor-filósofo , como ele mesmo se intitula, aborda de forma brilhante a questão da identidade e das máscaras  que o destino impõe e das quais nao é possível libertar-se.

Recheado de colocações brilhantes, e com pouquíssimos diálogos, a obra nos apresenta personagens esféricas que travam em sí um jogo entre a forma e a existência, a fantasia e a realidade, a morte e a vida, o ser  imanente e o ser aparente, fazendo com que o leitor reflita sobre questões como a liberdade e o absurdo da vida.

Vale conferir o adendo do autor sobre a construção da fantasia e da verossimilhança.

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